2009/01/28

noticiasjan09

And the winner is...a Câmara Municipal


A gala do Premio Concelho Solidário realizada no passado dia 19 de Janeiro na Biblioteca Municipal confirmou todas as reservas relativas às verdadeiras intenções do Município Santa Maria da Feira ao promover o Mosaico Social sem o depositar na Rede Social, em termos de dinâmica de programação, responsabilização e gestão, persistindo no objectivo de “municipalização” desta estrutura de cooperação interinstitucional, para melhor atingir os seus objectivos. Quando as políticas europeias e as redes de cooperação intercidades e interterritoriais procuram, a nível europeu, vias criativas para promover perfis de municípios “facilitadores” de “gestores relacionais” (ver conclusões da VI Conferência AERYC) promovendo uma nova Arte de Governar baseada numa relação entre a cidadania e o governo democrático territorial (mais gestão das interdependências e menos organização de recursos e serviços) as estruturas municipais feirenses estão em todo o lado, põem e dispõem, gerem os dinheiros públicos a seu bel prazer, procuram fazer das restantes entidades da Rede Social meros figurantes de um cenário que constroem em função das suas finalidades que só aparentemente têm a ver com o desenvolvimento social.
O claro aproveitamento das questões sociais para efeitos do auto – elogio da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira está bem patente na Gala do Concelho Solidário que na realidade foi principalmente uma gala da “Câmara Solidária”.
Participei recentemente como perito em projectos de desenvolvimento social e como presidente da ANOP - Oficinas de Projecto, Desenvolvimento & Educação no júri do [1]Prémio Projectar Um Novo Futuro inserido no evento europeu com a mesma denominação e que fez o balanço de oito anos de actuação da Iniciativa Comunitária EQUAL e mostrou os projectos mais interessantes e inovadores de cada Estado-Membro. O Prémio que destinava-se a reconhecer os melhores produtos e soluções EQUAL que se candidataram teve um Primeiro Prémio e oito menções honrosas e foi entregue no passado dia 12 de Dezembro durante a sessão “Projectar um futuro através da Inovação social.
Este prémio foi organizado na base dos seguintes critérios:
Autoproposta na base de uma candidatura fundamentada pelas entidades candidatas, tendo conhecimento do regulamento e dos critérios de avaliação;
Objectividade, ou seja o processo de avaliação / julgamento por parte do júri baseou-se em evidências e consequentemente em dossiês organizados para o efeito e em situações de demonstração, naquele caso em desempenhos em Live Labs que permitiam a interpelação pelos avaliadores e a defesa de pontos de vista por parte dos avaliados.
Independência, ou seja quem avaliava não tinha qualquer relação (incompatibilidade) com os projectos e produtos avaliados. Veja-se que a ANOP não apresentou a candidatura do prémio o produto Equal Autonomus (visitado no stand pelo Comissário Europeu Vladimir Špidla, responsável pelo Emprego, os Assuntos Sociais e a Igualdade de Oportunidade como a boa prática portuguesa para o apoio à reinserção profissional) e essa condição viabilizou a participação do seu presidente no Júri.
Critérios específicos obrigatoriamente utilizados pelos avaliadores que serviram de base para uma notação o que implicava uma acção de comparação e de relativização entre os diversos concorrentes.
Nada desta base processual e ética foi assegurada no Premio feirense. E os resultados são surpreendentes (ou não).
Sabiam que a Câmara Municipal é a entidade mais qualificada e mais competente do concelho nas actividades de apoio ao emprego, de formação profissional e de intervenção comunitária? Incrível não é? Os serviços da Câmara reclamam estes atributos (a prova é que se candidatam e vão a votos no CLAS…votos condicionados pelas circunstâncias do poder) e serão, nas palavras da apresentadora da gala (também da Câmara ) os que “apresentam a melhor qualidade nos serviços prestados”.
Numa outra categoria, o projecto solidário, na qual foi valorizada a estruturação de novas práticas, a inovação metodológica, o trabalho em rede o prémio foi atribuído a quem? Ao projecto Direitos & Desafios ou seja à Câmara Municipal e à Associação que a Câmara indicou unilateralmente à Segurança Social para executar o PROGRIDE, a Associação Prazer de Viver (isto apesar de existirem no momento da candidatura outras entidades com experiências mais relevantes em matéria de intervenção social e de apoio à reinserção profissional). Quem foi receber o prémio? A tão enaltecida parceria do projecto Direitos & Desafios? O tal trabalho em rede? Não, foi mais uma vez a Câmara Municipal, representada pela chefe da Divisão da Acção Social..

As outras entidades feirenses que foram premiadas neste processo têm méritos inquestionáveis e muitos dos prémios atribuídos valorizam um trabalho meritório e digno de louvor
Lamentável é que as regras de jogo não fossem de tal ordem que essa valorização fosse simultaneamente reforçada pela legitimidade dos princípios éticos relegados para segundo plano pelos organizadores.

E assim se vai destruindo as potencialidades das Redes Sociais e se vai usando o social para fins que ultrapassam de todo os interesses das populações.
E o prémio vai par….a Câmara Municipal.

Carlos Ribeiro


[1] http://www.poweringanewfuture.org/?lop=conteudo&op=3295c76acbf4caaed33c36b1b5fc2cb1&id=2838023a778dfaecdc212708f721b788

2009/01/10

APOIO À CRIAÇÃO DE ACTIVIDADES - BOUTIQUE DE GESTION DE PARIS

Em Março 2009 a ANOP concluirá 10 anos de actividade em favor do desenvolvimento social. Trata-se de uma excelente oportunidade para revisitar as parcerias, as iniciativas, os programas, as pessoas e os momentos muito especiais que marcatam esta dezena de anos de intensa actuação a nivel local, regional, nacional e internacional

Recuperar as experiências vividas num passado recente pode também servir para alimentar a reflexão e o debate sobre os modelos de intervenção social e sobre as bases para a dinamização de acções de interesse comum, a partir da sociedade civil e em particular de organizações sem fins lucrativos como é o caso da ANOP.

Para dar início a este pequeno ciclo de Memórias Pedagógicas, que também podem ser acompanhadas no site da Associação http://www.anop.eu/ e na Rede Social de actores da inovação social http://autonomus.ning.com/, damos a palavra a Danielle Desguées. Directora Geral da Boutique de Gestion de Paris Ile de France com quem partilhámos experiências e desafios nos últimos 10 anos. Foi o conceito de Maison de l´Initiative Economique Locale, experimentado e desenvolvido com sucesso em Saint Denis no Norte de Paris, que inspirou a ampliação do quadro de actuação das Oficinas de Projectos (modelo base de intervenção da Anop) para as Casas da Iniciativa Local(CIL) programa que ANOP concretizou em mais de 40 concelhos do país. Na sua configuração final as CIL apresentam um perfil de intervenção muito diferente das Maison d´Initiative, mas o ponto de partida foi a cooperação com as Boutiques de Gestion, aliás iniciada em 1988 noutros quadros de actuação relacionados com o cooperativismo.
Vale a pena visitar a experiência desta Rede de Apoio à Criação e Acompanhamento de novas actividades - as Boutiques de Gestion - pela sua clara linha de actuação marcada pelo lema "Initiative et Solidarité". ler mais